sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Relações Modernas

Postado por Celeste Maria Cesar Galvão às 10:00




No amor a idéia de "alma gêmea", "metade da laranja" faz-nos parecer seres incompletos.
Esse texto de Flávio Gikovate mostra bem como os relacionamentos modernos vêm se desenvolvendo. Ninguém quer mais depender de ninguém e nem deve...

"Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio.

As relações afetivas também estão passando por profundas transformações
e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação
compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade,
respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de
dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu
com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.

O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos
encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que,
historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características,
para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de
saber fazer o que eu não sei.

Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia
prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem
deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo
amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é
muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas
estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e prendendo a conviver melhor
consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração,
mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo,também se
sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.

É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando
o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que
fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver
com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da
energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.

Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E
ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua
individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais
preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho
não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar
sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de
dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada
cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para
avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea
e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para
estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o
indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser
encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele
se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças,
respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de
ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem
de aprender a perdoar a si mesmo..."






Flávio Gikovate, médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor brasileiro.




Uma musiquinha legal para animar o momento:









Beijos e bom final de semana,



6 comentários:

GIL on 4 de setembro de 2010 11:32:00 BRT disse...

Cê, adorei seu cantinho, ainda fico confusa com essas mudanças, eu penso que muitos acostumam na verdade a viver sozinhos, acredito muito no amor e na cumplicidade, sou casada há 30 anos trabalho e essa parceria tem sido boa.....bjks.....bom feriado a vc....seu cantinho nos faz refletir e crescer como pessoas.....bjks...Gil

ValériaC on 4 de setembro de 2010 17:52:00 BRT disse...

Cê querida, é um mimo o seu blog...obrigada por sua companhia lá no meu...já estou a te seguir de pertinho também...doce final de semana...beijinhos...
Valéria

Cris França on 4 de setembro de 2010 18:39:00 BRT disse...

Oi Cê, muito prazer!

Eu sou a Cris do Canto de Contar Contos.

Li que vc esta precisando de ajuda com o tal selinho né?

mas eu n entendi ao certo como posso ajudar.

pelo que vejo na sua página, vc está indo muito bem.

olha só se vc quiser qq dica pode me escrever tá bem: cristiana.franca@hotmail.com

os amigos são sempre bem vindos e eu gosto de ajudar, então se puder será um prazer e uma alegria.

um beijo e ótimo final de semana para vc!

Cris França on 4 de setembro de 2010 18:39:00 BRT disse...

ah e obrigada pela musica, não conheço , vou procurar e publico no sábado. te espero la no canto. ;)

Nilce on 5 de setembro de 2010 02:07:00 BRT disse...

Oi, Cê

Obrigada pelo carinho.
Muito lindo seu cantinho.

Gostei muito e concordo com o texto. Numa relação somos dois indivíduos buscando a realização de sonhos comuns. Não podemos perder a indivualidade, muito menos a liberdade.

Bjs no coração!

Nilce

psy on 6 de setembro de 2010 07:46:00 BRT disse...

Grande Gikovate! Esse cara é bom! Adoro ler ele!
Lembrei de um pequeno dizer do Chico Xavier que acho que cabe aqui:
"A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos. Tudo bem.
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum, é amar mais ou menos, é sonhar mais ou menos, é ser amigo mais ou menos, é namorar mais ou menos, é ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos." (Chico Xavier)

 

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